Guia para Comprar Carros Usados Sem Arrependimentos

Guia para Comprar Carros Usados Sem Arrependimentos

Um preço baixo pode esconder uma caixa de velocidades avariada, danos por inundação ou problemas de documentação. Um bom negócio num carro usado começa ainda antes de contactar o vendedor, e este guia para comprar carros usados foi feito para o ajudar a separar o valor real dos erros caros.

Comece pelo seu orçamento real

A maioria dos compradores olha primeiro para o preço do anúncio. É normalmente aí que começam os problemas. A melhor jogada é definir o orçamento total antes de começar a procurar, porque o carro em si é apenas uma parte do custo.

Precisa de margem para impostos, legalização, seguro, combustível e a primeira ronda de manutenção. Até um veículo usado sólido pode precisar de pneus, travões, fluidos ou bateria pouco depois da compra. Se o seu orçamento total for de 12.000 dólares, é em geral mais sensato procurar um carro com preço abaixo desse valor, para não ficar apertado logo no primeiro mês.

Também ajuda separar aquilo que se deseja daquilo que é inegociável. A tração às quatro rodas, a terceira fila de bancos, o consumo de combustível, a capacidade de reboque e uma quilometragem mais baixa influenciam o preço. Se se mantiver flexível quanto à cor, à versão e aos pormenores estéticos, encontra normalmente melhores opções mais depressa.

Como usar este guia para comprar carros usados ao analisar anúncios

A procura de um carro usado é mais rápida quando se comparam anúncios com um filtro claro. Comece pelo tipo de carroçaria, pelo intervalo de idade, pelo intervalo de quilómetros e pelo preço máximo. Depois preste atenção aos detalhes que os vendedores incluem, porque os bons anúncios costumam facilitar a triagem.

Um anúncio útil deve mostrar fotografias claras do exterior de lado, do interior, dos pneus, do tablier e, se possível, da zona do chassis. A descrição deve mencionar a quilometragem, a situação dos documentos, as principais características, o historial de manutenção, o historial de acidentes se for conhecido, e se o vendedor é firme no preço. Se o anúncio for superficial, faça perguntas diretas antes de perder tempo a marcar um encontro.

Uma mensagem simples pode evitar uma viagem inútil: os documentos estão em ordem e em seu nome? Há alguma luz de aviso acesa? Houve algum acidente, alguma fuga ou algum problema mecânico? Quando foi a última revisão importante? Existem registos de manutenção? Os vendedores que respondem com clareza costumam ser mais fáceis de negociar do que aqueles que fogem a factos básicos.

Se estiver a navegar num grande marketplace de classificados como o Advertigo, compare vários anúncios locais de uma vez, em vez de se fixar na primeira opção barata. Isso dá-lhe uma noção melhor do preço normal na sua região.

Saiba o que conta mais do que a quilometragem

A quilometragem conta, mas não é toda a história. Um carro bem tratado com 190.000 km feitos em autoestrada pode ser uma compra mais inteligente do que um carro negligenciado com 120.000 km feitos na cidade. O estado, o historial de manutenção e a reputação do modelo pesam normalmente mais.

Procure coerência. O desgaste do banco do condutor, dos pedais e do volante corresponde ao que marca o conta-quilómetros? Os pneus mostram um desgaste uniforme? O compartimento do motor parece cuidado e não acabado de lavar para esconder fugas? Pequenos sinais podem revelar se o carro foi mantido ou apenas limpo para a venda.

Alguns modelos são conhecidos pela fiabilidade a longo prazo, ao passo que outros ficam caros à medida que envelhecem. Pesquise os problemas frequentes da marca, do modelo, do ano e do motor em concreto antes de se encontrar com o vendedor. Um carro pode parecer ótimo nas fotografias e ainda assim ter um problema de caixa, de turbo ou elétrico comum nessa versão exata.

Verifique os documentos, o historial e os dados do vendedor

Os problemas de documentação podem transformar um carro barato numa má compra. Antes de avançar, confirme que o vendedor tem os documentos e que o nome que consta neles corresponde ao seu documento de identificação. Se o carro tiver alguma reserva de propriedade, pergunte como vai ser levantada e como será feita a transferência de propriedade.

Documentos sem problemas são normalmente o caminho mais seguro para os compradores comuns. Os veículos declarados perda total ou recuperados podem ser mais baratos, mas trazem mais risco, mais complicações com o seguro e um valor de revenda menor. Para alguns compradores essa troca compensa. Para a maioria, não.

Vale também a pena consultar um relatório de historial do veículo, mas trate-o como uma fonte e não como a palavra final. Os relatórios podem não registar acidentes, danos por inundação ou manutenções saltadas. Se o vendedor disser que o carro nunca teve um acidente, mas o relatório ou as folgas entre os painéis sugerirem o contrário, continue a investigar.

Inspecione o carro à luz do dia

Nunca compre um carro usado apenas com base em fotografias. Marque o encontro à luz do dia e não tenha pressa. Comece por fora e dê uma volta lenta à volta do veículo.

Procure pintura irregular, folgas desiguais na carroçaria, manchas de ferrugem, faróis estalados, danos no para-brisas e sinais de trabalho de chapa recente. Verifique os pneus de perto. Se um pneu estiver mais recente do que os outros, pergunte porquê. Se o desgaste do piso for irregular, o carro pode precisar de suspensão ou de alinhamento de direção.

Dentro do habitáculo, teste tudo o que puder sem começar a negociar cedo demais. Experimente os vidros, os fechos, os espelhos, o aquecimento, o ar condicionado, o sistema multimédia, as luzes, os limpa-para-brisas e as regulações dos bancos. As luzes de aviso devem acender por instantes no arranque e depois apagar-se. Se ficarem acesas, isso é um problema a sério e não um pormenor.

No compartimento do motor, procure fugas, corrosão à volta da bateria, correias estaladas ou sinais de fluidos negligenciados. Não é preciso ser mecânico para reparar numa negligência evidente. Basta abrandar e observar.

O test-drive revela aquilo que as fotografias não mostram

Uma volta curta ao quarteirão não chega. Teste o carro em estradas locais e, se for possível, a velocidade de autoestrada. Conduza com o rádio desligado e repare em como o carro arranca, muda de velocidade, trava e faz as curvas.

O carro deve acelerar com suavidade, travar a direito e manter-se em linha sem puxar com força para um dos lados. Oiça se há batimentos ao passar por buracos, ruídos agudos da caixa, zumbido dos rolamentos das rodas e barulho excessivo do escape. Uma vibração a certas velocidades pode indicar problemas de pneus, de alinhamento, de transmissão ou de suspensão.

Repare também no indicador de temperatura e em como o motor se comporta ao ralenti depois de conduzir. Alguns problemas só aparecem com o carro quente. Se o vendedor recusar um test-drive como deve ser, desista e procure outro carro.

Faça uma inspeção antes da compra

Se há um passo neste guia para comprar carros usados que poupa mais dinheiro, é a inspeção antes da compra. Pagar a um mecânico independente antes de comprar sai mais barato do que pagar reparações escondidas depois de comprar.

Isto conta ainda mais nas vendas entre particulares, nos veículos mais antigos, nas marcas de luxo, nas carrinhas usadas para rebocar e em qualquer carro com preço muito abaixo do mercado. Às vezes um preço baixo reflete um vendedor que quer uma venda rápida. Outras vezes reflete um problema que ele espera que não seja notado.

Um mecânico consegue detetar fugas de fluidos, danos no chassis, peças de suspensão gastas, ler os códigos de erro e estimar as manutenções futuras. Se o vendedor recusar uma inspeção, trate isso como um sinal de alarme.

Avalie o carro pelo estado e não pelo valor pedido

Um vendedor pode pedir o que quiser. O seu trabalho é decidir quanto vale o carro no estado em que está. Compare veículos locais semelhantes, com o mesmo ano, versão, quilometragem e situação documental. Depois ajuste em função do estado, do historial de manutenção, dos pneus, do historial de acidentes e das reparações necessárias.

A negociação funciona melhor quando é concreta. Em vez de dizer que o preço parece alto, aponte factos. Se os pneus estão gastos, os travões estão no fim e não há registo da substituição da correia de distribuição, explique que esses pontos alteram o valor que o carro tem para si.

Isto não quer dizer que todos os vendedores vão dar um grande desconto. Os carros usados limpos e com preço justo vendem-se depressa. Se um veículo está em bom estado e com um preço justo, ser realista conta. Apertar demasiado pode custar-lhe um bom carro.

Trate do pagamento e da papelada com atenção

Depois de acordarem o preço, abrande outra vez. Confirme que o número de chassis do carro corresponde ao dos documentos e ao do contrato de venda. Certifique-se de que os documentos estão assinados corretamente, conforme as exigências do seu país ou região. Os erros nesta fase podem criar problemas de registo mais tarde.

Evite formas de pagamento invulgares ou pressões para agir depressa sem a papelada. Marque o encontro num local público e seguro sempre que possível e guarde os comprovativos da transação. Consoante a sua região, pode ainda precisar de uma declaração de quilometragem, de documentação de emissões ou de um termo de transferência de responsabilidade.

Antes de sair de carro, certifique-se de que tem o seguro tratado e de que percebeu os prazos de registo locais. Uma excelente compra pode tornar-se depressa uma fonte de stress se não puder usar o carro legalmente desde logo.

Quando desistir

Alguns compradores ficam comprometidos em excesso depois de gastarem tempo a pesquisar, a trocar mensagens e a encontrar-se com o vendedor. É aí que acontecem os erros caros. Se os documentos são duvidosos, se o vendedor muda a versão, se o test-drive revela problemas sérios ou se a inspeção encontra mais do que consegue resolver, desista.

Vai haver sempre outro anúncio. O objetivo não é comprar depressa. O objetivo é comprar bem.

Um carro usado deve facilitar-lhe a vida, e não trazer uma fatura de reparação ao terceiro dia. Tenha paciência, verifique tudo e confie mais no processo do que no discurso de venda.

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